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O Outubro Rosa entra em seus últimos dias, porém o tema levantado pela campanha, que alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, deve ser sempre lembrado, bem como as trajetórias de luta de quem superou esse tipo de adversidade, e se coloca à disposição para ajudar o próximo. São os casos de voluntárias da Associação Viva a Vida, que atua há 36 anos em Piracicaba, com o objetivo de proporcionar acolhimento, valorização, autoestima e humanização ao seu público.
A revendedora de cosméticos Claudineia de Fátima Mendes Bolívio conta que sua história começou no Natal de 2002, quando notou alguma coisa que não lhe era familiar em seu corpo, e buscou ajuda. “Ao passar a mão, eu senti algo diferente, e, no início do ano seguinte, fui a ginecologista. Na consulta, já estava difícil de sentir, e ela solicitou um ultrassom. Eu tinha apenas 34 anos. Fiz o exame, que acusou um nódulo”, disse.
“A doutora falou para eu aguardar seis meses para repetir o exame, e se o nódulo crescesse, ela me encaminharia ao mastologista. Foi o que aconteceu. Em outubro de 2003, eu retirei o nódulo para biópsia, só que eu não me importei em ir buscar o resultado. Me questionavam se eu não tinha medo de que fosse câncer, e eu afirmava que não, pois amamentei meu filho durante um ano, não tenho caso na família, não tinha nem 40 anos, e não fui procurar saber o diagnóstico”, comentou.
“Passaram-se os meses, e em fevereiro de 2004, durante o banho, eu senti um outro carocinho. Foi quando eu decidi buscar meu exame. Ao abri-lo, o médico me questionou muito pela demora, e disse que por conta disso eu teria que tirar minha mama, que eu estava com câncer. A sensação é terrível, foi como se o chão tivesse se aberto. Não parecia real, eu chorava muito. Eu repetia que não queria tirar minha mama, mas não tinha outro jeito, e ele começou a preparar os papéis”, externou.
“Fiz os exames para a cirurgia e, inclusive na esperança de que não fosse câncer, até porque na mamografia que fiz posteriormente não acusava esse carocinho, procurei uma segunda opinião. Esse outro médico me explicou que a mulher antes dos 40 tem muita glândula mamaria, e essa questão de não aparecer na mamografia pode acontecer. Ele me encaminhou para uma nova ressonância e deixou claro que eu teria realmente que retirar minha mama”, prosseguiu Claudineia.
“Os exames indicaram que eu estava com múltiplos nódulos, e em abril daquele mesmo ano fiz a mastectomia. É um processo muito dolorido, dói o corpo e a alma. Eu esvaziei a axila e não conseguia movimentar o braço, só depois, com fisioterapia. A recuperação também é complicada”, recorda a revendedora de cosméticos, que “virou a chave” em certo momento. “Quando tive o diagnóstico, de que era realmente câncer, eu pensava que iria morrer, mas depois mudei minha forma de pensar, me agarrei ao fato de que não queria deixar meu filho, e fui à luta”, lembrou.
“Foram sete sessões de quimioterapia, também muito sofridas. Isso mexe muito com o corpo. Eu retinha líquido e ganhei dez quilos. Minha pele ressecava. Não foi fácil. Ao terminar o tratamento, fui fazer a reconstrução, que, na época, não se fazia em Piracicaba. Fui para Campinas, iria ficar cinco anos na fila, porém meu médico conseguiu um encaminhamento para São Paulo. Foram três anos de espera, e nesse meio tempo eu conheci a Viva a Vida, que foi onde comprei a prótese”, afirmou.
“Passei por três cirurgias nesse processo de reconstrução, e depois de dez anos resolvi ser voluntária na Associação”, indicou Claudineia, que deixa uma mensagem de esperança e fé às mulheres que passam por essa mesma situação. “É difícil, nos questionamos o porquê de nós. No entanto, a aceitação é muito importante, assim como o pensamento positivo e o apoio das pessoas que amamos e nos amam. Esse suporte é essencial. Fui abençoada por contar com um amparo familiar muito grande, e estou aqui, graças a Deus. Eu venci, e assim como eu, outras também podem”, frisou a voluntária, que transmite sua experiência na Viva a Vida.
“A prevenção é essencial, e por isso é tão importante o alerta que campanhas e ações como as do Outubro Rosa trazem. Na Associação, eu atendo mulheres em tratamento e conto minha história para elas, mostro minhas cicatrizes. Tudo passa, e temos que enfrentar as adversidades com alegria e muita fé”, contou.
Foto de capa: Mariana Kasten